6 de Dezembro de 2007

Universos paralelos




Mudei-me de vez para outro Universo:





http://filosofodiletante.blogs.sapo.pt/

Caso tenha interesse, actualize a sua forma de me encontrar.

Abraço e até breve


5 de Dezembro de 2007

(in)satisfação

Por vezes a insatisfação pode não ter como causa as coisas mas a postura perante as coisas. Por exemplo, se não estamos bem em lado nenhum devemos questionar se o problema reside nos locais onde estamos ou em nós quando estamos nesses locais. Bem sei que isto parece trivial, mas dá que pensar. É uma espécie de revolução coperniciana da satisfação.

2 de Dezembro de 2007

Love story

Para aquela que me tem aturado todos estes anos...



Where do i begin
To tell a story of how great a love can be,
The sweet love story that is older than the sea,
The simple truth about the love she brings to me?
Where do i start?

With her first hello
She gave a meaning to this empty world of mine.
There'd never be another love, another time.
She came into my life and made the living fine.

She fills my heart,
She fills my heart with very special things,
With angel songs, with wild imaginings.
She fills my soul with so much love
That anywhere i go i'm never lonely.
With her along who could be lonely?
I reach for her hand, it's always there.

How long does it last?
Can love be measured by the hours in a day?
I have no answers now but this much i can say:
I know i'll need her till the stars all burn away
And she'll be there.

How long does it last?
Can love be measured by the hours in a day?
I have no answers now but this much i can say:
I know i'll need her till the stars all burn away
And she'll be there

29 de Novembro de 2007

(Des)encontros

A ideia de que podemos encontrar a pessoa ideal é no mínimo estranha. Estranha também é a ideia de pessoa ideal. O que raio é uma pessoa ideal? Como é que avaliamos a idealidade? Mais, como diabo se consegue saber se a pessoa ideal é aquela que pensamos ser? Todos os dias cruzo-me com pessoas. Qual delas é a ideal para mim? E cruzo-me com ela? E há só uma? Por que razão não podem ser duas com, digamos, o mesmo grau de idealidade?

No outro dia viajava de avião e vi outro avião cruzar-se com o "meu". Pensei que estranho seria se a minha pessoa ideal não fosse quem eu pensava que era, e que nunca iria encontrar essa pessoa porque ela viajava naquele avião que agora se cruzava com o meu -- e que eu não fazia a menor ideia para onde se dirigia, nem teria alguma vez qualquer hipótese de descobrir. Para mais, pensei ainda, nunca mais estaria tão perto dessa pessoa (estou a ser um bocado fatalista, mas enfim, é para a parábola funcionar). Seria terrível! Ali à distância de um ou dois kilómetros e... nada! Nunca mais! Tinha deixado passar a oportunidade. Não tinha tido qualquer hipótese (supondo que não sou o Super-homem).

Todos os dias nos cruzamos com milhares de pessoas. Creio que todos os dias passamos, indiferentes, por centenas de pesssoas ideais. Amigos, amantes ou simplesmente companheiros desta jornada que é a vida. Aflige-me a ideia que nunca vou ter oportunidade de atingir o ideal. Aflige-me que a outra metade (recordando o mito de Platão, no Banquete) de mim nunca se cruze comigo. Aflige-me não saber e estar na dúvida.

Como descobrir as outras metades? Alguns falam em intuição, mas geralmente estão demasiados toldados pela paixão para conseguirem discernir entre juízo apaixonado não racional e juízo racional. Não é fácil. Não sei. Talvez seja algo para lá da intuição, uma coisa física ou metafísica até agora inexplicada ou, quiçá, inexplicável. Ou, o que que me incomoda bastante, talvez não hajam pessoas ideais. Talvez as nossas escolhas sejam afinal impostas pela selecção natural e social; caso em que o livre-arbítrio vai à "viola". Quero acreditar que não. O cenário da idealidade é muito mais fascinante, embora também mais desesperante -- pois corremos o risco nunca encontrar a outra metade. Talvez o que importe seja a procura, o caminho, não o fim do caminho (para usar o velho chavão). Eu gosto muito de caminhar, mas gosto muito mais de chegar. Vejo propósito. Vejo fins que motivam a minha escolha. Isso dá sal à minha vida. Matava-me agora mesmo se soubesse que isso era falso.










Painting Copyright © 2007. Two Red Cherries, J.L. Fleckenstein ALL RIGHTS RESERVED

28 de Novembro de 2007

Middle earth






27 de Novembro de 2007

Citações e autoridade

Se há coisa que abomino é textos que começam com uma citação de Pessoa. Está na moda há muitos anos.


Estas citações cumprem normalmente um de dois objectivos: 1) ilustrar uma situação descrita ou uma opinião; 2) dar autoridade a um argumento apresentado por quem faz a citação. Compreende-se se 1 for o caso. Mas mete-me nojo quando 2 é o caso, pois dá a entender que Pessoa era um sumo sacerdote e que tudo o que disse é da ordem do divino. Ora, não é assim. Pessoa era uma pessoa, tinha falhas. Veja-se, por exemplo, o seu gosto pela astrologia. Divinizar a pessoa de Pessoa, ou as suas criações, parece-me altamente exagerado. E usar as suas palavras para apoiar argumentos, normalmente triviais e bastante fracotes, revela uma clara incapacidade para defender convenientemente ideias próprias -- embora seja um bom indicador de uma excelente capacidade de imitação, tal como a dos macacos ou a dos cães.

25 de Novembro de 2007

Presunção e água benta, cada qual toma a que quer.


Apareceu hoje no Portal Sapo uma notícia com o seguinte pomposo título:


Universidade de Coimbra Entre as Melhores


Queria insinuar-se que a UC estava cotada entre as melhores. Ora, a UC NÃO ESTÁ entre as melhores em nada! É apenas a 319 no ranking, muito atrás de universidades de países que alguns incautos até poderiam considerar subdesenvolvidos. É apenas a quarta ao nível da peninsula ibérica e está na posição 153 a nível europeu! Nem ao nível da lusofonia é a melhor (excepto em Portugal, também era melhor!), pois fica atrás da Universidade de S. Paulo. Metam pois a cagança num sítio que eu cá sei e sejam moderados nas afirmações que fazem.

A propósito, a Universidade onde me encontro neste momento está cotada entre as 30 melhores do mundo. Mais precisamente, é a número 23 (pode ver-se qual é aqui na lista). Faz isso de mim um dos melhores? Não! O que pode fazer-me melhor é o trabalho, o esforço e a dedicação (parece o lema do Sporting, pá!).

Em Portugal parece haver muita muita parra (como o ditoso artigo da SIC parece indicar), mas pouca uva.

24 de Novembro de 2007

Guitarradas sábias

Parece que estou possuìdo pelo Espírito do Pop-rock-n-roll.

Para quem não percebeu na altura em que música esteve na "berra", a letra fala da dupla personalidade das fémeas. Deve ser uma coisa social, tal como o chauvinismo intrínsco dos machos.

É um aviso, lá isso é -- sem dúvida. E com razão. Devemos ter razões para temer. Ai de nós! Não devemos temer o monstro, mas o anjo que esconde o monstro.



SANTANA

Put Your Lights On
(feat. Everlast)

Hey now, all you sinners
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you lovers
Put your lights on, put your lights on

Hey now, all you killers
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you children
Leave your lights on, you better leave your lights on

Cause there's a monster living under my bed
Whispering in my ear
There's an angel, with a hand on my head
She say I've got nothing to fear

There's a darkness living deep in my soul
I still got a purpose to serve
So let your light shine, deep into my home
God, don't let me lose my nerve
Lose my nerve

Hey now, hey now, hey now, hey now
Wo oh hey now, hey now, hey now, hey now

Hey now, all you sinners
Put your lights on, put your lights on
Hey now, all you children
Leave your lights on, you better leave your lights on

Because there's a monster living under my bed
Whispering in my ear
There's an angel, with a hand on my head
She say's I've got nothing to fear
La illaha illa Allah
We all shine like stars
La illaha illa Allah
We all shine like stars
Then we fade away

23 de Novembro de 2007

Os loucos anos 90

Para acabar a trilogia do rock n` roll piroso que tenho vindo a apresentar, deixo estas pérolas de um dos melhores grupos dos anos 90 a fazer músicas sempre iguais, os Aerosmith.

Crazy



Fly away from here

Estrada de fogo

Este

é provavelmente o melhor filme que conheço sobre Rock n roll, motas, porrada, vinil, neons, etc. Prova que se faziam umas coisas giras nos 80`s

O filme é de Walter Hill, conhecido pelas cow-boi-adas. Marcava (em 1984, era eu um teenager cheio de genica) a estreia a sério do talentoso William Dafoe. E a Diane Lane, ouch!, que brasa! Entrava também um canastrão de quem nunca mais se ouviu falar. É o que acontece aos heróis criados à pressão.

Deixo alguns momentos memoráveis da banda sonora devidos a Ry Cooder e Jim Steinman



Fire Inc.

Nowhere fast



Marilyn Martin

Sorcerer



The Blasters

One Bad Stud




Fire inc.

Tonight is what it means to be young




YEAH!


Que se lixe a música frouxa...:)

22 de Novembro de 2007

Coisas de cotas, como estamos em Novembro

Ah, os 80`s! Uma pérola. Há quase vinte anos era assim. Mau gosto a vestir (que está voltar), videos musicais péssimos (coisa que nunca passou de moda), mas música do camandro e letras que faziam cair as tipas no banco de trás do meu Mini mil (original, não esta tanga que agora prai anda com motor BMW e que custa a exorbitância de 25 mil euros) . Bons tempos!

Esta vai então para todos vocês, intelectuais de meia tijela :-), amantes de música clássica fatela e intervencionices fora de moda do Sérgio Godinho. Eat me! yeah!




Guns n´Roses

November Rain

When I look into your eyes
I can see a love restrained
But darlin' when I hold you
Don't you know I feel the same
'Cause nothin' lasts forever
And we both know hearts can change
And it's hard to hold a candle
In the cold November rain
We've been through this such a long long time
Just tryin' to kill the pain
But lovers always come and lovers always go
An no one's really sure who's lettin' go today
Walking away
If we could take the time to lay it on the line
I could rest my head
Just knowin' that you were mine
All mine
So if you want to love me
then darlin' don't refrain
Or I'll just end up walkin'
In the cold November rain

Do you need some time...on your own
Do you need some time...all alone
Everybody needs some time...on their own
Don't you know you need some time...all alone
I know it's hard to keep an open heart
When even friends seem out to harm you
But if you could heal a broken heart
Wouldn't time be out to charm you

Sometimes I need some time...on my
own Sometimes I need some time...all alone
Everybody needs some time...on their own
Don't you know you need some time...all alone

And when your fears subside
And shadows still remain, ohhh yeahhh
I know that you can love me
When there's no one left to blame
So never mind the darkness
We still can find a way
'Cause nothin' lasts forever
Even cold November rain


Don't ya think that you need somebody
Don't ya think that you need someone
Everybody needs somebody
You're not the only one
You're not the only one

20 de Novembro de 2007

(Des)igualdades e (in)diferenças

O que é a igualdade dos homens? Esta questão sempre me confundiu. Se somos todos diferentes (em quase tudo, incluindo o código genético, ao que parece), como podemos afirmar que somos iguais? Bem, tenho uma teoria para oferecer. É fraquita, mas aí vai.

Somos iguais porque partilhamos determinados sonhos, desejos e expectativas. Somos iguais porque partilhamos determinadas angústias, sofrimentos e incapacidades. Somos iguais no melhor e no pior. Somos iguais na humanidade e na animalidade. Somos iguais em quase tudo o que valorizamos como bom e como mau. Somos diferentes no modo como existimos e vivemos a nossa humanidade e a nossa animalidade. Não é defeito, é feitio. É um modo de ser que transcende fronteiras geográficas, étnicas, culturais, científicas, religiosas, económicas, etc. O Mundo é a igualdade e a diferença. O Mundo é um estado de coisas igual a si mesmo que se altera a cada momento.

Não é fácil viver aqui neste mundo de igualdade e diferença. É contudo muito mais difícil viver aqui neste mundo de desigualdade e de indiferença. É o que somos, não o que podemos ser.

16 de Novembro de 2007

Por falar em morder a língua e morrer envenenado..


...aumentem a foto e vejam.


15 de Novembro de 2007

Hume e os automóveis


David Hume ficou famoso por ter percebido o seguinte (entre outras coisas): por mais que as coisas tenham ocorrido de uma determinada maneira no passado, isso não implica as coisas ocorram necessariamente da mesma maneira no futuro. Por exemplo, por mais que os automóveis circulem pela faixa da direita (em Portugal), isso não implica que os automóveis venham sempre a circular na faixa da direita -- No Reino Unido circulam por norma na faixa da esquerda. Ora, Hume também dizia que esta nossa ilusão de que as coisas se vão repetir com as mesmas propriedades só porque assim aconteceu dezenas, centenas, milhares ou milhões de vezes de vezes no passado é-nos dada pela força do hábito! Este é um mecanismo psicológico que nos induz a pensar que o futuro será igual ao passado (o sol nascerá amanhã porque vimo-lo nascer imensas vezes no passado). Mas esta relação nem sempre obtem. E a não ser que sejamos deterministas q.b., não temos de aceitar que há qualquer tipo de necessidade envolvida na transição passado-futuro.

Isto tudo para dizer que já ia sendo atropelado algumas vezes aqui na terra do Hume, pois de tantas vezes ter visto (em Portugal e noutros países) os carros a vir de um determinado sentido, numa determinada faixa, criei o hábito de olhar sempre para o MESMO lado ao atravessar a estrada. Resultado, tenho levado umas apitadelas e uns piropos aqui dos Scotts auto-mobilizados. E com razão!

14 de Novembro de 2007

My kind of town II


The Royal Mile!
(é a rua, não a igreja)

Amigos para sempre

Há amizades do catano. Vejam aqui.



Na fotografia: Greyfriars Bobby


13 de Novembro de 2007

My kind of town...Edimburgh



Edimburgh Castle



Balmoral Hotel


Waverley monument




Bristro Place
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More to come soon...










9 de Novembro de 2007

Chegou a hora

Bye, bye...

6 de Novembro de 2007

Dois dogmas do “positivismo” hiper-modernista


Muito grosso modo, o positivismo lógico é uma teoria segundo a qual só o que pode ser experimentado-experimentalmente ou verificado na experiência (verificacionismo) é susceptível de ser admitido como ciência, filosofia, etc, etc, blá, blá. Há um famoso texto de Quine (famoso entre filósofos, claro!) no qual este filósofo desmonta (na opinião de muitos) velhas distinções entre os conceitos de analítico e sintético, blá, blá, blá. O texto chama-se “Dois Dogmas do Empirismo”, blá, blá, blá. Para mim, que tive de o ler várias vezes, o texto é uma estopada e trata de assuntos muito pouco interessantes – até para os standards filosóficos, vejam lá.

Nada disto me interessa senão o nome do texto. Vou usá-lo para desmistificar (e gozar com) dois dogmas do nosso Primeiro, respectivos sequazes e muitos outros cromos. Estes são dogmas que estão profundamente enraizados na mente dos betinhos hyper modernos. (Para meu espanto, incluindo os Gatos-Mal-Lavados que fazem pub à Telecom recebendo - pensa toda a gente -quantias escandalosas por umas quantas tiradas parvas e cada vez mais sem graça. Sinais dos tempos).

Já agora, o Pós-moderno foi (embora não haja consenso sobre isto) uma corrente de pensamento social e filosófico “inventada” por filósofos franceses de linguagem obscura e mentes distorcidas, segundo os quais valia quase tudo. Esta corrente deu o p..... mestre e (graças a Deus, ou ao Diabo) morreu! O pior foi que esta corrente foi substituída por algo tão mau ou pior: o Hiper-modernismo, sendo este caracterizado pela atitude positiva, pelo politicamente correcto, pela barbinha escanhoada, pelos implantes de silicone, pelos aparelhos para endireitar favolas, pela especulação financeira descontrolada, pelo Pólo MP3 e por putos e p....as ranhosos(as) e plurigâmicos(as) que dormem com as playstation ao colo e que vivem dentro do Warcraft, do MSN e do Second Life. Isto entre muitas outras coisas que me dão nojo. Bem, mas eu sou do tempo em que se jogava à carica...

Os dois dogmas do hiper-modernismo (português) são:

1) Devemos ter uma atitude positiva, pois só este tipo de atitude nos levará a bom porto.

2) O desenvolvimento tecnológico é uma coisa inerentemente boa e deve ter prioridade sobre tudo o resto.

Primeiro, não é verdade que ter uma atitude positiva, à guisa de cordeirinho bem comportado, seja sempre bom. Ter uma atitude negativa, destrutiva, altamente crítica, isto é, olhar a sociedade, nós próprios e tudo em geral com olhos de destruidores, de terrorista (intelectual) , é bom. É porque obriga a refazer, obriga a reconstruir, a rever, a reencaminhar, etc. Ter sempre uma atitude positiva, como querem os Sócrates, os Ulrichs, e muitos outros caramelos do género, é mau! É por causa deles que vocês estão como estão. Eles mandam-vos serem positivos, e vocês são, e eles é que ganham com isso! Apesar de estarem sempre a dizer que ganhamos todos, isso é falso! Cada vez há mais exclusão, diferença de condições de base, insegurança, desemprego, etc. Não é uma questão de política. É uma questão de mentalidade e de orientação social! Não se deixem fazer. Não sejam positivos. Revoltem-se contra o dogma. Destruir é muitas vezes o melhor meio de construir. Avaliar é criar, já lá dizia o Bigodes. Avaliem! Não aceitem acriticamente tudo o que vos põem no prato. Correr ao domingo de manhã sem objectivo não é cool, é uma parvoíce. Trabalhar horas fio num ginásio para ter mais um dedo de músculo (que vai ser comido quando morrerem), ou menos dois centímetros de pneu, é uma tolice a longo prazo. Comer no japonês peixe cru só porque é in ou porque é, supostamente mas não comprovadamente, saudável, é mau. Daqui a cinquenta anos é tudo considerado ridículo. Topam? Porque é mesmo ridículo. São modas, formas datadas de ver e de estar no mundo. Positivismo? Não obrigado.

O segundo dogma é ainda mais fácil de derrubar. Desenvolvimento tecnológico nem sempre se traduz em qualidade de vida. Não é por ter agora um computador para escrever isto que sou mais feliz. Pode ser mais útil, sem dúvida. Mas nem sempre a utilidade arrasta felicidade. Uma pistola pode ser útil, mas tanto pode ser um instrumento de felicidade (para dar cabo de um pedófilo, por exemplo) como de infelicidade (para matar alguém num assalto a um banco, por exemplo). E agora algo ainda mais radical. Ter máquinas tecnologicamente avançadas para curar muita gente pode não ser bom. Quanto mais gente curada houver, e menos gente morrer, menos recursos haverá para todos. Como avaliar? Depois há também o uso da tecnologia para fins de roubo de privacidade, desumanidade e indecência. Se não houvesse tecnologia não existiriam esses problemas. O problema não se resume ao uso. O problema está em saber se vale a pena desenvolver tecnologia sem pensar antes no uso que lhe devemos dar.

Mas mesmo assumindo que a tecnologia é uma coisa boa, por que razão haveremos de lhe dar prioridade? Não há outras coisas e valores que deveriam ter prioridade? A preservação da natureza parece ser uma delas. Por exemplo, usamos (ainda) imensos e irrecuperáveis recursos naturais para construir tecnologia, que depois usamos para preservar recursos naturais – usamos petróleo para construir moinhos de ventos para deixarmos de usar petróleo, mas o que é certo é que petróleo já quase não há. Topam? É irrecuperável. Não compreendo onde está o sentido desta movimentação.

Tecnologia? Sim, claro. Dogmaticamente e a todo o custo (até a custo de pessoas), como quer o betinho hiper-moderno com nome de filósofo? Não obrigado.

Um reparo final. Há quem possa sugerir que isto é muito radical, e que o que importa realmente é ser crítico mas dentro de determinados parâmetros, com contenção, sem violência mental e verbal. Mas isto é um eufemismo. Quem segue este caminho continua a ser acrítico! Não questionar os próprios parâmetros de uma via é manter-se na via fazendo apenas ligeiras correcções de trajectória no mesmo sentido. Dito de outro modo, é chover no molhado. É abrir portas abertas. É mais do mesmo. É redundância. É camuflar os dogmas e continuar a aceitá-los acriticamente. O que é realmente necessário é subverter os dogmas.


(Devia ter posto um "ler mais" nisto, mas não tenho tempo. Desculpem lá...)

2 de Novembro de 2007

Rango Japónio? Não obrigada...


Isso! Continuem feitos estúpidos a fazer a fila à porta dos restaurantes japoneses. Eles merecem a nossa consideração...VEJAM AQUI POR QUE RAZÃO TEMOS DE COMEÇAR A BOICOTAR ESTES TIPOS!!!

Fico admirado é com os vegies e outros adeptos das modas sem sentido que se gabam de ir comer aos restaurantes japónios porque, por um lado, o “tacho” é saudável, e porque, por outro, o que eles oferecem não “lesa os interesses de animais capazes de sentir dor”. Poupem-me a hipocrisia...Por favor! Eu como vaca, mas não ando a esconder que como vaca (e galinha, e porcos, etc.). Assumo o que sou: carnívoro, brutal, insensível, etc. Mas ainda assim, e sem que isto sirva de desculpa, penso que há níveis de consciência da dor que não podem ser comparados. Matar golfinhos bebés com arpões não deve ser bem a mesma coisa – em termos de sofrimento – do que matar uma vaca com um golpe seco. Seja como for, não me convidem para ir ao Japonês comer, nem agora nem nunca. Venha de lá uma pasta com chicha da “baca” e molho de tomate.

31 de Outubro de 2007

Discussões inúteis


(umas trivialidades a serem reconsideradas)


A propósito das muitas discussões que há entre especialistas de áreas de actividade, importa dizer que são (QUASE) inúteis porque -- DE TODOS OS LADOS DA DISCUSSÃO -- há uma incapacidade imensa ou para ver o preconceito próprio, ou uma vontade inesgotável de o ocultar. Cientistas e outros cromos berram juízos carregados de moralidade científica preconceituosa a não-cientistas (muitas vezes disfarçada de sólida argumentação). Não-cientistas (da linha dura), filósofos e outros diletantes (na opinião dos cientistas, que não lhes reconhecem nem mérito nem capacidade), carregam um conjunto imenso de preconceitos (e inveja da posição dominante dos cientistas) que os impedem de formular um argumento de jeito contra a ciência ou contra o que quer que seja, incluindo a cor do papel higiénico. Ou as premissas são falsas, ou são arbitrárias, ou as conclusões são maradas (um novo termo técnico da lógica informal)... etc. Já padrecos, monges e outros caramelos da mesma índole têm uma dificuldade imensa em abandonar preconceitos religiosos, doutrinais e metodológicos. Depois há os tipos da rua, pessoas normais (não como eu, que sou um “freak”) que se estão c.... para essas discussões desde que os autocarros funcionem e os micro-ondas aqueçam a comida dos putos ranhosos que andam a alimentar para crescerem fortes e saudáveis (com o objectivo provável de baterem nos profs do secundário, entrar em programas pimba da TV portuguesa e roubar caixas ATM com meias na cabeça).

Enfim, é um prazer imenso, quase inefável, viver neste mundo...

30 de Outubro de 2007

C`um canudo! Canudo em latim?


(Enquanto não sigo para as Highlands, mais uma pérola)



Depois de quatro anos de licenciatura e dois anos de espera, entregaram-me finalmente o Canudo. Como bom filho que sou, quis mostrá-lo à minha mãezinha. Coitada dela! Não percebeu patavina, pois o “escrito” vem em Latim. Tive de traduzir – mal. Eu que sou um 0 à esquerda nestas coisas das línguas mortas. Pergunto, o canudo vem em latim por ser tradição e para dar ares de erudição, não é? É!? Ah, bom! Então está bem... E não estaria na hora de começarem a escrever a coisa em português de Portugal?

Imagine-se que quero dar consultas (seja lá do que for) e penduro o dito cujo na parede do gabinete. Vai daí, o primeiro “consultando” a aparecer por lá pergunta-me: “O meu caro amigo é licenciado em quê? É que não entendo o que está escrito no seu diploma”. O que vale é que já tenho resposta preparada para este atrevido que ousa disputar as minhas qualificações académicas. Vou dizer-lhe: “Ó meu caro senhor, junte-se ao clube, pois também não faço ideia do que está ali dito...” Enfim, problemas babilónicos (Topam? Babilónia? Línguas?)

26 de Outubro de 2007

"Amigos"

Se há coisa que me deixa desconsolado é pensar que sou amigo de alguém e, no fim de contas, essas pessoas de quem eu penso ser amigo demonstrarem-me que não há verdadeiras amizades. Fico f..... O que vale é que para mim não há cá meio termo. Não sou cristão e não tenho o fraco (digo eu) costume de perdoar. Se me desiludem, acabou... E acabou mesmo! Por isso é que não espero ver ninguém no meu funeral. Que se lixe!

15 de Outubro de 2007

intervalo de longa duração

Não é que ninguém se interesse, mas este blogue vai ser suspenso por tempo indeterminado devido a razões académicas e profissionais.

Abraço!

13 de Outubro de 2007

Nota ZERO para a RTP1


Primeiro, fazer um programa de discussão do Espírito, seja lá o que isso quer dizer, com três bispos e dois tipos com formação em Direito (Mário Soares e Marcelo Rebelo de Sousa) é, primeiro, passar um atestado de ignorância ao povo e, segundo, desrespeitar os filósofos portugueses. Só se consegue entender isto à luz do share de audiência. Como discussão não terá o menor valor por razões óbvias. Ser laico, ser professor de Direito ou comentador televisivo não é condição suficiente para se poder discutir o tópico. Os bispos devem estar a esfregar as mãos de contentes.

Segundo, fazer um programa sobre a Guerra colonial? Qual guerra? Era mais honesto fazer um programa sobre as escaramuças coloniais. Não têm nada melhor na manga? Guerra? Mas qual guerra? C´um catano! Vejam as estatísticas das guerras regionais do século XX, principalmente a da Coreia, do Vietname, do Iraque, do Afeganistão, etc., e comparem com a nossa “guerra” colonial. Haja paciência!

11 de Outubro de 2007

Mania da ciência...


...e que se lixe o resto.

A ciência é uma coisa boa. O progresso tecnológico também. Mas a mania que os nossos actuais governantes têm de que a primeira prioridade é desenvolver a ciência e a tecnologia já cheira mal. É certo que andámos quase cinco séculos a "ver navios", enquanto outras nações se actualizavam e investiam na ciência e tecnologia, colhendo agora os merecidos dividendos. Mas o facto de ser importante recuperar o tempo perdido não implica que tenhamos de abandonar tudo o resto. Todavia, o nosso PM, engenheiro de formação (ou de devoção, não sei bem nem quero saber) parece um burro com palas nos olhos. Só consegue ver TECNOLOGIA, INTERNET, MIT, CIÊNCIA, e outras coisas do género à frente dos olhos. Quer ele acabar com o desemprego entre os licenciados de áreas com pouca saída profissional acabando com as áreas. Tipo, estão obsoletas - pensa ele - fecham-se! O que ele não consegue ver, e deveria, pois é muito dado às inovações vindas de outros países, é que nos países mais desenvolvidos não se acaba com certas áreas do saber só porque o mercado de trabalho não está vocacionado para acolher pessoas vindas dessas áreas. Pelo contrário, o que importa nesses países é APROVEITAR ESSAS PESSOAS E AS MAIS-VALIAS QUE PODEM TRAZER À SOCIEDADE.

Não é a fazer cursos para o desemprego que se lá vai. Mas é isso mesmo que os nossos governantes têm de regular. É reformulando o sistema de ensino e dando incentivos ao mercado de trabalho que o estado pode ter um papel activo e positivo.

Aqui há uns dias ouvi o tipo que está à frente da "nossa" parceria com o MIT pintar a manta com o sucesso e os resultados da coisa. Está fixe! Óptimo! Mas... e os outros? E o resto da inteligência portuguesa? Não têm o direito a parcerias? Não há projectos que os contemplem porquê?

Eu explico. É que segundo estes senhores, o mercado e a economia de mercado não estão receptivos a pessoas vindas destas áreas. Ergo, fechem-se as portas! Já que não há procura, acaba-se com a oferta. Mas isto é falso. Todos os anos as universidades dos EUA formam milhares de pessoas em ciências sociais, pessoas que conseguem entrar no mercado de trabalho porque as empresas reconhecem-lhes competências específicas. Mas aqui não. Não senhor! Aqui a formação de base é reconhecidamente pobre, e as empresas "cortam-se", não só por causa disso mas também por causa da velha mentalidade de só gere bem quem é economista ou gestor, ou que só fala bem quem é advogado, ou que só pensa bem quem é engenheiro, biólogo ou físico. Isto é tudo falso! Como é óbvio.


Sr. Engº Sócrates, se só quer ciência e tecnologia para Portugal faça o favor de abolir as dezenas de cursos superiores para o desemprego. É de facto a solução mais fácil, embora esteja longe de ser a mais correcta. Mas se quer fazer justiça ao nome que transporta, faça o favor de raciocinar por si. Não emprenhe pelos ouvidos. Verá que, ao contrário do que lhe dizem, há outras soluções. Aproveite o que de bom esta gente tem para lhe oferecer. Se quiser estou disponível para discuti-las consigo. É que, sabe o senhor, sou filósofo de formação e por devoção. A minha especialidade é precisamente discutir racionalmente ideias, encontrando soluções.

(Versão corrigida)

8 de Outubro de 2007

Nata, elites e corporativismo


Se há coisa que me irrita é o preconceito da “Nata”. O nosso ministro da Saúde, Correia de Campos, dizia hoje que não podemos deixar “a Nata” ir estudar para fora. Referia-se ele obviamente aos estudantes que não conseguiram entrar este ano nos cursos de medicina disponibilizados pelas universidades portuguesas e se viram forçados -- tadinhos deles! -- a ir estudar, na sua maioria à conta dos paizinhos, também eles da nata, para o estrangeiro (leia-se, Galiza e outros locais com vagas). É no mínimo ridículo que um ministro se refira a alguns como a “Nata”, remetendo, por exclusão de partes, os outros estudantes doutras áreas para algo “abaixo” da “Linha da Nata”. Se os futuros médicos são a nata deste país, os outros são o quê? A “farinha”? Os “Ovos”? O “Fermento?” O quê? Senhor ministro, deixe-se de posições elitistas meritocráticas. Esqueça o corporativismo que tem entranhado nos ossos e respeite todos aqueles que não são em sua opinião a “Nata”, mas que também fazem muito por este país e pela sua sociedade.

Já agora, comunico-lhe não gosto de natas – pode deileitar-se e enfartar-se com as "suas" natas. Diria mesmo para as meter num sítio que eu cá sei. Não se esqueça mas é de pôr alguma da "Nata" malcheirenta que por cá há a mamar de vários lados (público e privado) a trabalhar como deve de ser. Talvez assim não houvesse um número crescente de processos judiciais por incompetência da "Nata".

7 de Outubro de 2007

Highlands

Quase, quase de partida....Já só falta mesmo o quase.

28 de Setembro de 2007

Equilíbrios e quedas

Ando saturado dos equilíbrios politicamente "correctos", para mais, quase sempre aceites acriticamente. Segundo as recomendações dos especialistas, tudo, ou quase tudo, deve ser equilibrado: a alimentação, a saúde, o sono, o sexo, o gozo, a vida, o orgulho, a vaidade, o egoismo, etc. P....! Estou farto! Isto é uma mania que nos chegou dos gregos antigos, agora recuperada com graus de convição a raiar o compulsivo-obsessivo. P......! Estou farto! Quero cair no abismo de vez em quando. Quero altos e baixos. Quero que o o equilíbrio se lixe. Quero viver. Mas não quero ser amorfo, sem sal, certinho! Para quê? Felicidade? Mais uns anitos? Estão a brincar, não?

19 de Setembro de 2007

Mau gosto, plágio, abuso

Começo pelo mau gosto. Trata-se de um Blog(ue) que está em desta(k)e no Portal Sapo. É péssimo, tal como tantos outros que por lá aparecem. Mas tem direito a desta(k)e porque tem audiência! Também ela com mau gosto, diga-se em abono da verdade. O blog(ue) chama-se “Javardos benfiquistas” e é feito por, pasme-se!, benfiquistas! (pessoas que não sabem escrever em português, claro, certamente vítimas de uma educação deficiente). Ora, eu até sou do Benfica, mas não me revejo em adjectivações de tão baixo calibre. Espanta-me como podem pôr uma m... daquelas em desta(k)e, mas enfim...

Agora o plágio. É também um blogue que está sempre em destaque no Portal Sapo. É concebido e mantido por um tal de David Fonseca. Ora, até me podem acusar de ser invejoso, e tal e quê e o catano, mas a música do Fonsecório nada mais é do que uma mistura dos acordes dos saudosos Talking Heads (de um outro David, com muito mais talento que o davidzinho nacional, o David Byrne) e das letras lamecha e ritmos dos Roxy Music (ou do Brian Ferry, o que vai dar quase ao mesmo). Eis a razão por que acho que David cá da casa é uma fraude. Mas é uma fraude com muito direito de antena e muitos fans (igualmente tolos ou desconhecedores de realidades musicais do tempo da avózinha), disso não há dúvida. Espera-o, espero eu, o destino do Abrunhosa (fantasmas e esquecimento). Não há pachorra para estes tipos!

Por último, uma palavrinha para o Lidl (o abuso). Sim, leram bem, o Lidl, essa maravilha de supermercado que vende qualidade a preços baixos para a classe pobre-alta. Estou siderado, pois ao fazer uma pesquisa na página que estes senhores têm na Net (para comprar uma coisita baratucha, pois sou da classe pobre-alta) descobri que têm uma filosofia! Maravilha! Meus senhores, vamos lá ver. Platão, Aristóteles, Descartes, Kant e, com um bocadinho de boa vontade, até Foucault têm uma filosofia. O que os senhores têm é, quanto muito, uma imagem de marca, um método comercial, uma forma de actuar. MAS NADA DISSO É UMA FILOSOFIA! Ter uma filosofia é, em sentido estrito (e não há outro consistente), ter um conjunto de teses (normalmente formuladas a partir de argumentos a priori) sobre tópicos filosóficos perenes como, por exemplo, o que é uma coisa, o que é o conhecimento, como devemos viver, o que é a arte, etc. Isto são coisas de filósofos e objectos de estudo das suas filosofias. Já o preço do tomate estar mais barato esta semana, por exemplo por uma opção comercial de beneficiação do cliente, NÃO é uma questão perene, não é “decidível” a priori, nem faz parte de nenhum tópico filosófico conhecido; excepto talvez na mente de um tal de Nicolau de Cusa, que queria pôr a mulher da bancada das couves a fazer filosofia. Se tivesse vivido nos nossos dias, quase de certeza que não teria sido bispo, mas sim gestor do Lidl (ou publicitário).